Conteúdo escrito por humanos e por IA apresenta alguma diferença, seja no seu teor ou nos seus efeitos práticos? Essa é uma discussão interessante cuja resposta pode variar de pessoa para pessoa, e sob o aspecto objetivo, pode até mesmo conforme o segmento de conteúdo ou de mercado.
Mas para quem lida com marketing profissional, a resposta é: sim, há diferenças e elas fazem a diferença nos resultados de um projeto de marketing.
Com a popularização das ferramentas de inteligência artificial, produzir textos ficou mais rápido, barato e acessível. Exatamente por isso, o marketing de conteúdo tem ficado mais homogêneo. Nesse novo cenário, o desafio deixou de ser apenas publicar com frequência e passou a ser outro: escrever para ser lido por humanos e por IA ao mesmo tempo, sem perder identidade, conexão, autoridade e boa performance de SEO.
A verdade é que o marketing de conteúdo está atravessando uma transformação silenciosa. Para conseguir se adaptar bem, é preciso não ser nem conservador demais para descartar a IA, nem afoito demais para usá-la em absolutamente tudo.
Não se trata de escolher entre humano ou máquina, mas de entender como cada um lê, interpreta e valoriza um texto. Nesse artigo, você vai entender como isso acontece no marketing digital!
Você sabe diferenciar um texto feito por humanos e por IA? Isso faz diferença?
Na prática, sim, faz diferença.
Textos gerados exclusivamente por IA tendem a seguir padrões previsíveis: estruturas muito semelhantes, vocabulário neutro, explicações genéricas e conclusões seguras demais. Isoladamente, eles não estão “errados”. O problema surge quando todo mundo começa a publicar o mesmo tipo de texto, com o mesmo tipo de estrutura e linguagem.
Quem tem o olho mais “treinado” ou consome muitos conteúdos notará os padrões em comum e perceberá logo quais são feitos com IA. E quem não tem pode até gostar dos textos, mas talvez sinta o contraste quando entrar em contato com outros pontos de atendimento da marca que são conduzidos por humanos.
Para o leitor, ser humano, isso gera desconexão. Falta voz, falta posicionamento, falta experiência real. O texto informa, mas não marca, não cria lembrança nem confiança.
Para os algoritmos dos mecanismos de busca na Internet, isso também importa. O Google vem reforçando diretrizes que valorizam conteúdos úteis, originais, com sinais claros de experiência, autoridade e confiabilidade. Quando um texto soa genérico demais, sem exemplos concretos, sem ponto de vista e sem aprofundamento, ele perde força competitiva em relação a outros conteúdos considerados pelos buscadores (mesmo que esteja “correto” do ponto de vista técnico).
Ou seja: se todos escrevem com IA do mesmo jeito, ninguém se diferencia. E diferenciação é um ativo central do marketing de conteúdo.
Como o marketing de conteúdo está se transformando para tratar diferente conteúdos feitos por humanos e por IA
O marketing de conteúdo não necessariamente rejeita a IA, mas está em um processo de amadurecimento sobre o uso dela para a produção de conteúdo.
Hoje, há uma valorização crescente de conteúdos que demonstram:
- “voz própria”;
- experiência prática real;
- visão crítica ou interpretativa;
- linguagem contextualizada ao público;
- exemplos concretos, narrativas de casos, erros e aprendizados.
Isso não significa que o Google “penaliza” automaticamente textos feitos com IA. Mas ele prioriza conteúdos feitos *por e para* humanos, sim, mesmo que tenham apoio de ferramentas automatizadas.
Na prática, isso muda a forma de produzir. Textos puramente informativos, rasos ou excessivamente neutros tendem a competir em desvantagem. Já conteúdos que organizam ideias, interpretam cenários, explicam decisões e assumem um tom próprio ganham maior espaço.
Essas diferenças também têm relação com estratégias de branding e diferenciação. Empresas e profissionais que publicam apenas textos genéricos começam a se diluir no meio do ruído digital. Já quem usa o conteúdo para expressar valores, posicionamento e visão de mundo constrói algo mais duradouro.
Você deve largar a IA?
Não, o erro está em delegar tudo à IA e publicar o resultado bruto, ou considerar a produção de conteúdo como algo feito apenas para “cumprir tabela”, como se fosse obrigatório ter um blog e perfil de rede social cheio de posts mas sem necessariamente ter uma história autêntica pra contar ali.
A IA é excelente para organizar ideias, acelerar rascunhos, estruturar plano, textos, sugerir variações e apoiar estratégias de SEO. Ignorá-la não necessariamente é sinal de sofisticação.
Mas é preciso saber que conteúdo estratégico exige supervisão e curadoria humanas. É o humano que deve decidir:
- o que aprofundar;
- o que cortar;
- que tom adotar;
- onde posicionar opinião e onde ser neutro;
- que linguagem deve ser ajustada;
- como incluir repertório próprio e exemplos reais;
- como alinhar o texto à identidade da marca;
- quais riscos de posicionamento valem a pena ou não.
O diferencial não está em escrever sem IA, mas em escrever com IA e com critério e adicionando voz própria.
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Alexandre de Souza Teixeira
Head – Sócio Fundador da IN COMPANY e especialista em marketing médico e saúde em geral.
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